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segunda-feira, janeiro 07, 2008

Perder a Inocência - Capítulo XIX - O sabor de um gosto.

Não vou esquecer, nunca mais vou esquecer... Se ao menos soubesse, se voltarei a beijar a Manela... Ainda não estou em mim… foi muito diferente de tudo… nunca pensei que fosse assim. Já tinha imaginado tudo. Sabia que era bom, mas as minhas suposições não se aproximaram, de longe, da realidade.
Com o Miguel, o Pipo, o Tó e os outros já tinha tentado adivinhar. Lançávamos hipóteses na esperança de aproximar. Tínhamos um ponto de partida, o nosso próprio consolo. Era bom, é óptimo, mas agora sei que não é nada comparando com o entre pernas da Manela.
Ai! O tocar nos seios, beijar os seus lábios sedosos e seu pescoço alvo, tocar no seu suave ventre e as suas nádegas. Acariciar as suas coxas, sentir a sua respiração ofegante. Apreciar e arrepiar quando oiço os seus gritinhos e gemidos, quando murmura baixinho o seu prazer. Nada, nada, mesmo nada é melhor que isto.
Mesmo que queira, que tente recuperar essas sensações, sei que, aqui onde estou, não vou ter o mesmo prazer. Sei que não vou ter outra vez a Manela.

Regresso para a mesa da sala de jantar com a tristeza de me ter abandonado a pura felicidade. Agora já não me incomoda o que irá dizer o meu pai. Pouco me importa o sermão, que ele tenha descoberto a minha ousadia, o meu pecado. Sei que qualquer que sejam as consequências, nada me fará arrepender da grande causa, a Manela.
Ao entrar na sala ninguém parou o que estava a fazer para contemplar-me ou enfrentar-me com o olhar. O meu pai rabiscava uma folha de papel, a minha mãe arrumava a bancada da cozinha e o meu irmão brincava num canto, sentado no chão. Parecia que o motivo do meu atraso já tinha sido esquecido. Esse era o meu desejo, mas mal me sentei à mesa para comer, a minha mãe trouxe-me o prato de sopa e ao pousá-lo na mesa olhou-me com aqueles olhos de quem diz: “estou farta de te avisar”.
Ao ir agarrar a colher para começar a comer a sopa, o meu pai esticou o seu braço e com a sua mão impediu-me de chegar à colher. Olhamos um para o outro.

sábado, dezembro 01, 2007

Perder a Inocência - Nota do Autor

Há uns meses largos atrás, concretizei o beijo entre o Jaime e a Manela, que deu início ao envolvimento amoroso entre as personagens e a perda da virgindade do Jaime. (Hummmm!) Pois bem!!! Inicialmente o meu objectivo era fazer com que o Jaime revivesse o momento em que perdeu a inocência enquanto se acariciava no banho... (Certo!) Pensei em terminar a novela assim... (É verdade!)... mas não é possíve, não será possível.
Primeiro porque tenho que explicar o que aconteceu entre as quatro paredes do humilde quarto.
Depois porque tenho a consciência que ficaram muitas situações por resolve e enquanto pensava nelas ocorreu-me outras que poderiam enriquecer o imaginário do leitor.
Recordam-se que o Jaime ainda tem que explicar a razão do seu atraso ao pai. Que a Manela está noiva de um jovem que se encontra na Primeira Grande Guerra. Que irá acontecer? Que dirá o pai do Jaime, quando o rapaz regressar do banho para a mesa? Quais serão as intenções da Manela ao se envolver com um rapaz mais novo e inexperiente? Será que a Manela está tão apaixonada como o Jaime ou ainda pensa no Júlio César?
Como podem ler, esta novela ainda tem muito por onde ir e muito que contar, por isso, não desanimem, porque nunca me faltou inspiração. Leiam os próximos episódios e deliciem-se com esta emocionante e romântica novela. Apareçam!

domingo, outubro 14, 2007

Perder a Inocência - Capítulo VIII - O Beijo

Manela, de doçura no olhar e com um fundo de tristeza. Uma rapariga bastante alegre, sempre bem disposta. Onde estava não havia má disposição, ela conta histórias engraçadas, canta, dança e contamina o ar com a sua gargalhada. Apesar do constante sorriso no rosto, a vida cobre-lhe a história com um manto cinzento de tristeza.
A mais nova de sete irmãos não chegou a conhecer a mãe, faleceu no dia do seu nascimento. Nem um ano depois, o pai também falecera. Minha mãe costuma dizer que o seu pai morreu de amor, pois é lenda da vila a vida amorosa dos pais de Manel.
Não podendo ficar com os irmãos, teve que ir viver com a madrinha de baptismo, a D. Camélia, que é a governanta do casarão dos Tavares.
Contam que ainda novinha arranjou namoro com o filho do Sr. Costa, o jardineiro. Na altura moço da minha idade, começou a ajudar o pai na jardinagem. Tendo mais ou menos a mesma idade, interessaram-se um pelo outro e estão comprometidos até hoje, já falam em casamento, mas só depois que ele regressar da guerra na Europa.
Não percebo muito do que se está a passar na Europa, mas espero que não tenha de ir para lá, quando tiver a idade do Júlio.
Por essas e outras razões, fiquei curioso e estava ansioso por saber o que guardava aquela caixa misterioso. No início ocorreu-me, uma fotografia dos pais, cartas de amor do Júlio, etc. Mas nunca pensei que iria ver a caixa vazia.
Surpreso, olhei-a com admiração, enquanto ela rebolava pela cama soltando fortes gargalha. Ajeitando-se, parou e sentou-se na cama. Olhando-me e esboçando um grande sorriso disse:
- Tonto! Que segredo é que achas que uma rapariga poderia revelar a um rapaz que estivesse escondido numa caixa? – e lentamente avançou até mim. Frente a frente pôs a sua mão delicada na minha cara e suavemente encostou os seus lábios nos meus, dando-me um beijo. Após o primeiro beijo, ficamos calados a olhar um para o outro, contudo, nada passou-me pela cabeça e todos os meus medos desapareceram. Como uma enchente, a vontade subiu por mim acima e um calor ardente envolveu todo o meu corpo. Voltamos a beijar, mas desta vez mais intensamente, envolvendo-nos num abraço apertado. Todos os meus pensamentos apagaram-se como se tivesse soprado a chama da vela.

Continua.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Perder a Inocência - Capítulo VII - A Caixa do Segredo

Peço desculpas aos assíduos leitores deste blog e desta novela, pelos vários dias sem editar mais um episódio, mas infelizmente os meus deveres profissionais têm ocupado todo o meu tempo. Estou a fazer tudo para ter um BOM. LOL!
Agora com estes dias de férias aqui vai mais um episódio. Mais uma vez: SORRY!


Puxado por um braço, Manela levou-me para um quarto nos anexos da mansão. O quarto era pequeníssimo e só tinha uma cama grande de ferro, um colchão de palha de milho, sem lençóis e sem colcha. Ao fundo do quarto uma janela e uma cadeira velha de madeira, com uma pia e uma jarra em cima.
Disse-me que era o quarto que o Sr. Costa, que é o jardineiro da casa, usava-o para se lavar e mudar de roupa. Como não vivia no casarão, não precisava mais do que aquele simples quarto para estar à vontade.
Fiquei à porta do quarto, não quis entrar. Manela avançou e agachou-se do outro lado da cama como quem procura algo que se encontrava debaixo da cama. Reapareceu com uma caixa de madeira e colocou-a em cima da cama. Sentou-se na cama e olhou por um instante antes de admiradamente questionar:
- O que fazes aí parado? Vá, entra e fecha a porta! Não quero que ninguém nos veja. – Entrei e muito devagarinho fechei a porta. – Não vês que te vou mostrar um segredo! Mais ninguém sabe… só eu e tu. Anda, senta-te aqui ao meu lado.
Muito obediente avancei devagarinho, não sei se era medo ou ansiedade, ou mesmo incredibilidade do que poderia vir a acontecer. Sempre esperei por este dia. Há anos que sonho e desejo poder estar assim com uma rapariga… mas naquele momento não sabia o que devia fazer.
Sentei-me no canto da cama do outro lado da caixa e esperei que a Manela abrisse a caixa, mas antes acrescentou:
- Vai ser o nosso segredo, só nosso. Há muito que o tenho e ninguém sabe. Prometes que não dizes nada a ninguém? A ninguém, mesmo?
- Não digo. Prometo que não digo nada a ninguém. – Já há muito que não dizia uma palavra, nem me lembro de ouvir-me respirar, se quer.
- Vamos abrir a caixa? Estás preparado? – concordei e preparei-me para ver o tal segredo.
Com um sonoro “clique” Manela abre a caixa depois de ter pressionado o botão da fechadura com os seus longos, finos e delicado dedos, e com as duas mãos começou a levantar suavemente a tampa de madeira da caixa de segredos.

Continua (desta vez mais breve que da última)

sexta-feira, setembro 07, 2007

Perder a Inocência - Capítulo VI - No Casarão dos Tavares

Sem dúvida que os Tavares são uma família que todos respeitam aqui na vila e arredores. O seu casarão cheio de luxo, requintes e riquezas mostravam porque tinham um nome e um título que todos veneravam.
Só no jardim à entrada do casarão cabe a nossa casa e o quintal onde a minha mãe planta as hortaliças, legumes, leguminosos e cheiros. Para entrar no casarão, mesmo, há duas portas enormes que dão ideia de uma entrada para gigantes, o que nos deixa a sensação de sermos ainda mais pequeninos. As ombreiras esculpidas a decorar um arco que se erguia do chão envolvendo as duas madeiras trabalhadas, afastavam-me de um mundo encantado como ouvira a Professora Alice contar nas nossas aulas.
Fiquei parado a olhar para aquela enormidade. Infelizmente não entramos pela porta fantasiada. Fomos dar a volta para podermos entrar pelos “fundos”, como o chamou a Manela. Agarrou-me por um braço e explicou-me que não devíamos ter entrada por aquele lado, mas estava com pressa e tinha preguiça de dar a volta ao quarteirão para poder entrar pelos portões de trás. Por isso, não podíamos estar ali parados.
Ao entrarmos no casarão pelos fundos, Manela disse-me que ali era o local onde os empregados trabalhavam e estavam a maior parte do dia, enquanto não estavam a fazer limpezas, arrumações, ou outros recados lá dentro.
Era uma sala enorme com uma cozinha ao fundo, várias mesas e armários de todos os tamanhos, arrumados do chão ao tecto, ocupando todas as paredes da sala de serviço.
Na sala não havia mais ninguém além de nós os dois. Parecia que a casa estava vazia. E apesar de não haver nada demais nisso, aquela situação deixava-me cada vez mais desconfortável. A situação ficou mais complicada, ao ponto de ficar a suar frio, quando a Manela pegou-me pela mão e levou dizendo:
- Vem! Quero te mostrar algo que vais adorar. – Arrastado, fui sem ter tempo de optar se queria ir ou não.

Continua.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Perder a Inocência - Capítulo V - Adivinhando os Pensamentos

Íamos a caminho e a Manela falava dos falatórios da vila, do seu trabalho na casa dos Tavares, de como era tratada pelos vários patrões e de como estava aprendendo a ser uma excelente dona de casa, engrandecendo os seus dotes.
Eu evitava o seu olhar porque sentia que ela procurava-me na esperança de entender o que estava a pensar. Pelo que sei nunca foi rapariga para se prender em adivinhas e decidiu descobrir:
- Dois tostões pelos teus pensamentos.
- Não… não estou a pensar em nada… – hesitei.
- Vens tão calado.
- Vou a ouvir…
- E então? Não concordas comigo? Dou uma excelente esposa, não dou? – e num pulo de euforia virou-se para mim e alisou as suas vestes vincando as curvas do seu corpo, exibindo-se. Fixei os olhos nos seus seios e não tirei mais. Manela apercebeu-se e continuou a andar para que de perfil eu pudesse ver a verdadeira dimensão dos seus atributos. Não respondi à sua pergunta, mas também não foi preciso porque a admiração e a excitação expressa no meu rosto tinha revelado tudo. Era essa a resposta que a Manela queria e foi assim, como uma bruxa ou uma vidente, que conseguiu ler os meus pensamentos.
Fizemos o resto do caminho sem conversas. Ao chegarmos ao portão da casa dos Tavares, fiquei parado. Não sei se à espera que a Manela entrasse ou à espera que ela me pedisse para entrar. Ao ver que dali não me mexia, pegou na minha mão e disse:
- Anda, entra comigo. Vais ajudar-me a arrumar estas roupas. – continuei imóvel no mesmo sítio e a Manela voltou a insistir: - O que vais fazer tão cedo para casa? De certeza que a Ti Mari’ de Jesus não vai querer que andes por lá tão cedo a moer a sua cabeça. Anda! – com autoridade de moça mais velha deu-me um puxão e levou-me com ela para dentro de casa.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Perder a Inocência - Capítulo IV - Lembrando a Manela

Lembrei que hoje vinha a caminho de casa. Desta vez vim cedo, bastante cedo. Estava cansado e queria aproveitar para fazer um belo lanche. Normalmente passava toda a tarde sem comer.
A meio da rua encontro a Manela da casa dos Tavares que ia carregada com a trouxa de roupa já lavada. Ao passar ela perguntou-me:
- Eh Jaime, hoje vais para casa tão cedo, rapaz… Tás bem? Tás doente? Passa-se alguma coisa lá na tua casa?
- Viva D. Manela! Tá tudo bem… não há nada. Eu é que…
- D. Manela? – Interrompeu-me muito ofendida, mas com um belo sorriso.
- Ah! Pões-me velha! Manela. Sou mais da tua idade do que da tua mãe, rapaz. Deixa a Dona prás madames. – E pôs a sua mão no meu peito querendo ajeitar a camisa velha e suja das brincadeiras do dia.
- Tá bem! – Concordei apesar de não estar muito convencido e avancei seguindo o meu caminho.
- Espera! Não vás… faz-me companhia. Ou estás com muita pressa?
- Não, não estou…
- Então! Até vamos para o mesmo lado. Pelo menos até eu chegar a casa.
Sorriu com satisfação quando concordei, e fez-me sorrir também. Lado a lado, fomos andando e timidamente fomos trocando olhares.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Perder a Inocência - Capítulo III - Diálogo Enigmático

Meu pai tinha parado de olhar sem destino e agora olhava-me na tentativa de tentar perceber o que tinha acontecido, isso se alguma vez tivesse tido interesse em entender alguma coisa cá em casa, para além das suas caprichosas regras. Friamente continuou:
- …sabes que não são horas de chegares a casa?
- Sei sim Senhor! – Respondi na esperança de não precisar de dar mais explicações a ninguém, que o meu pai arrumasse o assunto para que pudéssemos jantar.
- Vai! Lava-te e senta-te à mesa! Depois conversamos. – Ordenou sem alterar aquele tom de voz seco que sem expressar nenhum sentimento nem intenção, assustava pela sua enigmática essência.
Segui para o quintal a pensar que, por mais que tivesse tentado esconder aquele fim de tarde com a Manela dos Távora, o meu pai já sabia que havia algo de diferente, por isso, tinha adiado a conversa sem que me tivesse dado o esperado raspanete com umas galhetas.
Lavava-me no tanque do quintal. Os raios de Sol tinham deixado a água morna. Ao passar o sabão pelo corpo, tentava recuperar aquelas sensações incríveis, apesar de saber que tinha de esconde-las e fazer de conta que não tinham acontecido. Mas o toque ensaboado com as lembranças voltaram a despertar o desejo de ter a Manela e de voltar a sentir tudo outra vez.

Continua

quinta-feira, agosto 02, 2007

Perder a Inocência - Capítulo II - Chegando a Casa.



Guiado pela luz amarela e emoldurada pelas sombras que saiam das candeias pela janela da cozinha, chego a casa e arrasto sonoramente a porta de entrada. Entro logo para a cozinha a tempo de ver nos rostos a transformação da preocupação para a interrogação e acusação.
Estão todos de olhos postos em mim, menos o meu pai que se manteve a olhar para o fundo da sala de estar. O meu irmão procura, olhando de cima a baixo, algo que ele possa denunciar. A minha mãe, de mãos à cintura, agarra-me com um olhar que não me deixa fugir para que eu possa certificar que o meu pai continua sentado a olhar para o fundo da sala enquanto brinca com o rendado da toalha da mesa da cozinha e trauteia com as pontas dos dedos o seu habitual compasso de espera. Minha mãe, na esperança que haja uma justificação que alivie a tensão crescente em todos, recorrendo ao seu tom de voz de moderadora e salvadora das almas perdidas, pergunta-me o que todos querem saber:
- Jaime, por onde andaste, criatura de Deus? Andávamos todos aflitos… desapareceste. Isso não é teu!...
- Procurei-te por todos os lados e perguntei por ti a toda a gente. – Intrometeu-se o meu irmão Zeca. - Mas todos diziam o mesmo, que te tinham visto a apanhar o caminho em direcção ao Monte…
- Jaime, meu filho, o que se passou contigo? Tu nunca foste assim tão irresponsável… nunca foste de dar preocupações à tua mãe… – e aproveitando que finalmente a minha mãe deixou de prender-me com o seu interrogatório e levou a sua mão à testa para demonstrar que está muito aflita, procuro ver pela primeira vez a expressão que transluz do rosto do meu pai. Com medo vou subindo o meu olhar desde o chão… Não chego a enfrentar o seu olhar porque enquanto ia subindo a minha cabeça numa escalada pelas pernas, braços, tronco… oiço a sua voz sisuda e quase desaparecida que não revela nada do que sente, a chamar pelo meu nome:
- Jaime…

quarta-feira, julho 25, 2007

Perder a Inocência - Capítulo I - Os Medos de Jaime


A noite já tinha chegado e nem tinha dado conta. Vinha encurtando, o mais rápido que podia, o caminho da vila até casa. Há muito que devia estar em casa com o banho tomado à espera que a minha mãe me chamasse para jantar. O meu pai não gostava que nos atrasássemos para o jantar. Aquela hora era sagrada, a hora que a família se reunia com o único pretexto, de estar junta a realizar a refeição do dia onde podíamos e devíamos estar todos presentes.
Não havia como fugir ao sermão, mas não era a repreensão do meu pai que mais me preocupava. Preocupava-me mais se ele visse algo em mim, que descobrisse que mudei, que já não era o mesmo e me obrigasse a confessar o que estava escrito na minha cara.
Tinha saído, como nos outros dias normais, para ir brincar para a vila com os meus amigos. No Monte da Oliveira, o nosso monte, onde temos a nossa modesta casinha, não há mais nenhuma criança para além do chato do meu irmão Zeca que é mais novo e também prefere as brincadeiras da vila com todas as crianças que andam por lá. Para além de jogarmos à bola, ao pião, à malha, à apanhada ou às escondidas, quando faz calor, como fez hoje, vamos todos nadar para a ribeira. E foi nos banhos da ribeira que tudo começou.
Normalmente, enquanto esperávamos pelo tempo da digestão do almoço, por baixo da sombra de uma azinheira, vamos atirando pedras à ribeira e falando os assuntos que nos preocupam e interessam a todos. Falamos das travessuras e dos castigos, dos truques para a pesca e para a caça, das novidades do futebol, das notícias da vila e das experiências inocentes vividas com as raparigas ou com as mulheres vizinhas. É nessa altura que comparamos a nossa virilidade, em todos os aspectos, e sentimo-nos já homens capazes de tudo.
Chegada a hora, tirámos toda a roupa e saltámos para a água. E assim nus, nadámos e brincámos uns com os outros, sem nos preocuparmos com as lavadeiras que olhavam curiosas e comentavam bem alto as suas opiniões sobre aqueles que lhes causavam espanto.
Comentaram que o Miguel do Chico da Mercearia já pinta, que o Filipe da Ti Mari’ Júlia, apesar de ser o mais novo e o mais pequeno, tem a picha maior e também falaram de mim, porque, apesar da minha idade, de todos sou o que está mais desenvolvido. Até a Manela que trabalha prós Tavares disse: “ Naaa!!! Olhem pró Jaime da Ti Mari’ de Jesus, tá um verdadeiro rapagão, aquilo é que é um homem!” E todos gozam com o meu embaraço.
Continua.

terça-feira, julho 24, 2007

BlogueNovela - Divulgação


Noutro dia estava a arrumar alguns dos livros que ainda assombram o meu quarto na casa dos pais e agarrei no romance Alma de Manuel Alegre. Nesse momento apeteceu-me reler um trecho que adoro, onde o autor mistura a inocência da pré-adolescência com os olhares e comentário eróticos e gulosos das gentes mais crescidas.
Após ter-me deliciado com a leitura, achei que seria uma boa ideia partilhar essa sensação com os fiéis leitores do Xonar-me.
Teria sido fácil fazer uma cópia desse trecho e tê-lo espetado num poste, mas quis dar azo à minha imaginação e voltar aos exercícios da faculdade.
Comecei logo a escrever e confesso que nem ia a meio e já tinha um conto muito longo, que devia ser curtíssimo.
Colocando esse suave e longo problema ao experiente e meu orientador de estágio, Pedro Morais; a cabeça de génio sugeriu que escrevesse a primeira novela deste blogue e que criasse a rubrica BlogueNovela.
Aqui têm! Todas as semanas publicarei uma pequena parte deste Conto. Não terá nada a ver com as Telenovelas, mas sim com o puro das Novelas de Folhetim. Espero que gostem.

Amanhã no horário do costume, não percam o primeiro episódio da primeira BlogueNovela: Perder a Inocência.

O título é giro, não é? Mesmo do género novelesco. LOL